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Slow Wine Fair 2026: quando o vinho “justo” se torna motor de inclusão, sustentabilidade e futuro para as Terras Altas

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De 22 a 24 de fevereiro, a BolognaFiere recebe a quinta edição da feira dedicada ao vinho “bom, limpo e justo”. Tema central: a justiça social na vinha. Eis as adegas, eventos e histórias a não perder.

Se você acha que feira de vinho é só prova e estande de garrafas, a Slow Wine Fair 2026 vai mudar seu conceito. Entre os dias 22 e 24 de fevereiro, os pavilhões 15 e 20 do BolognaFiere viram um laboratório vivo de uma ideia radical: o vinho só é “justo” quando respeita a terra, as pessoas e as comunidades que o produzem. É a quinta edição do evento criado pela Slow Food e organizado pela BolognaFiere; pela primeira vez, o debate deixa de lado só a videira e coloca em foco a dimensão social da cadeia vitivinícola.

Vinho “justo”: qualidade começa nos direitos

“Falar de vinho bom, limpo e justo é assumir uma responsabilidade política com os territórios e com quem os habita”, diz Federico Varazi, vice-presidente da Slow Food Itália. Tradução: nenhuma garrafa pode ser excelente se nasce da exploração do trabalho, do abandono das zonas interiores ou da exclusão de jovens e mulheres.

Por isso, a programação de 2026 gira em torno de três pilares:

  1. Trabalho digno – combate ao “caporalato” (intermediários que exploram mão de obra).
  2. Inclusão – histórias de refugiados e migrantes contratados com carteira assinada e moradia digna.
  3. Regeneração das Terras Altas – acesso a crédito e terra para quem tem menos de 40 anos e para mulheres empreendedoras.

Vinícolas pra anotar no caderno

Mais de 1.000 vinícolas (60 % orgânicas ou biodinâmicas) de 32 países, distribuídas em “ilhas” geográficas para facilitar o roteiro do buyer. Entre as estreias e retornos mais aguardados:

  • Caravaglio (Salina) – Antonio Caravaglio transformou a ilha num case de acolhimento: 8 trabalhadores estrangeiros regularizados, casa na propriedade e contratos de dois anos.
  • Montenidoli (San Gimignano) – Elisabetta Fagiuoli, há 53 safras nas colinas da Vernaccia, fundou uma ONG que acolhe idosos e jovens em dificuldade.
  • Banca del Vino de Pollenzo – espaço “Vecchie Annate” com 20 rótulos históricos em rodízio + provas temáticas (reserva obrigatória).

Masterclasses e eventos imperdíveis

  • 23 fev, 11 h – “Trabalho justo = vinho bom”. Debate com sindicatos, cooperativas e produtores.
  • Todos os dias, Mixology Lab – coquetéis com amargos artesanais escolhidos pela ANADI.
  • Provas “Terre Alte” – verticais de Carso, Valtellina, Etna e Alta Langa que contam como enfrentar o êxodo rural.

Sinergia com a SANA Food: um ingresso, duas feiras

Com o mesmo bilhete você entra também na SANA Food (pav. 18), a feira de orgânicos e veganos voltada ao canal Horeca. Novidade 2026: a Slow Food Promozione leva os produtores das redes Presídios e Mercados, criando um percurso de harmonização comida-vinho “bom, limpo e justo”, desde azeite até café torrado em ciclo curto.

Prêmios e reconhecimentos

  • Carta Vini Terroir & Spirito Slow – 14 categorias, nova seção “melhor seleção de cafés Horeca”. A votação online do público (10-31 jan) elege os 140 rótulos premiados.
  • Barawards “Locale Green do Ano” – a gala final no dia 12 de janeiro no Alcatraz, em Milão, coroa o bar/restaurante que melhor interpretou a filosofia Slow.

Dados de impacto

  • 15.000 visitantes em 2025 (+20 %), 2.000 encontros B2B com 300 buyers internacionais.
  • 6.000 rótulos para provar, 17 masterclasses, 21 conferências, 58 eventos paralelos pela cidade.

Como participar

Credenciamento: gratuito para profissionais até 31 jan em slowwinefair.it

Ingresso único Slow Wine + SANA: R65online,R 80 na feira.

App oficial – geolocaliza as vinícolas, salva favoritos e reserva masterclasses.

A Slow Wine Fair 2026 não é só o lugar de descobrir o Pinot Noir do Alto Adige que fala de clima ou o Zibibbo de Pantelleria que conta o vento. É onde cada gole é um voto por um modelo alternativo: agricultura que não deixa ninguém pra trás, vinhedos que mantêm as luzes acesas em vilarejos semi-abandonados, jovens que voltam a cultivar porque alguém acredita no trabalho justo. Se você quer contar o vinho como história de gente, direitos e paisagem, Bolonha é seu compromisso imperdível de fevereiro.

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